Revestimentos contra desgastes - Como especificar?

Revestimentos contra desgastes

Revestimentos contra desgastes são ótimas soluções para aplicação em peças que trabalham em ambientes agressivos e que necessitam ter sua durabilidade incrementada. O processo de escolha do melhor material nem sempre é fácil. Existem muitas alternativas disponíveis e é necessário um bom conhecimento das variáveis que estão impactando no processo.

Em 15 anos de experiência com desgaste de peças, já vivenciei inúmeros casos de profissionais de Engenharia de Produto e Engenharia de Manutenção que tiveram diversos problemas relacionados a uma escolha equivocada de revestimentos contra desgaste. Dentre esses problemas, os que mais identifiquei foram 3 como aqueles que mais me chamaram a atenção.

1 - Redução da vida útil: Já vi muitos casos de uma seleção ser feita somente pelo fama de o material ser resistente à um determinado meio. Em muitos casos, a vida útil foi reduzida em mais de 50%.

2 - Aumento dos custos: Sim, em muitos casos houveram aumento de vida útil. Mas existiam soluções que poderiam ter dado um excelente resultado com custos muito menores.

3 - Descrédito: Em muitos casos, já haviam sido realizados um volume tão grande de testes que se optou por "gerenciar o problema". Ou seja. se permaneceu com a solução menos ruim e assumir os custos do desgaste como um problema natural.

Para ajudar os profissionais que atuam na Engenharia de Produto e Engenharia de Manutenção de empresas de diversos segmentos, elaborei um método orientativo, bastante simples para auxiliar nesse processo.

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Eu identifiquei 3 etapas que considero muito importante no processo de escolha do melhor revestimento contra desgastes.

1 - Identificar claramente qual o mecanismo de desgaste: Eu entendo que esse é o primeiro e principal passo. Não adianta de nada realizar uma prospecção de materiais se não se sabe o que está ocasionando o desgaste superficial. Um material que vai suportar um desgaste por erosão nem sempre vai suportar um desgaste abrasivo, ou corrosivo. Em muitos casos, o que pensamos ser um desgaste abrasivo pode ser um desgaste adesivo.

2 - Identifique a temperatura de trabalho. Essa é uma informação muito importante. Os materiais não atuam da mesma maneira em todas as faixas de temperatura. Alguns materiais são projetados para trabalhar em temperaturas baixas e perdem suas características técnicas se operarem em temperaturas elevadas (acima de 400°C, por exemplo). Já outros, são projetados exatamente para operar em temperaturas elevadas.

3 - Prospecte e selecione. Agora fica muito mais fácil. Prospecte materiais projetados para suportar os ambientes que você identificou e faça a sua seleção de acordo com critérios que sejam mais atrativos pra sua situação (como o econômico, por exemplo). Exemplo: se o seu problema é um desgaste por abrasão em temperatura de trabalho de 200 graus e você identificou 10 materiais que podem trabalhar nessas condições, não necessariamente você necessita escolher o que tem o melhor desempenho de todos. Depende da sua condição, severidade do desgaste, se o equipamento é gargalo, etc.

Uma boa seleção de materiais pode aumentar a vida útil de peças em mais de 500% e reduzir drasticamente o custo de manutenção.

Baixe o Boletim Técnico com o Método orientativo com muito mais informações técnicas, em PDF.